Cardápio Saudável nas escolas

Por 17/06/2019 Gerais, Notícias

O Sindicato dos Estabelecimentos Particulares de Ensino de Goiânia (Sepe) sabe que cada etapa da vivência do aluno na escola é importante. O aprendizado, a interação com os professores e colegas, a recreação e também a alimentação.

O momento do lanche é muito importante, porque aquilo que o aluno se alimenta interfere também na saúde dele. Por isso, o Sepe conversou com a nutricionista Erika Amaral Brito sobre lanche saudável nas escolas para trazer orientações tanto para os diretores, coordenadores, professores como para os pais dos alunos e toda a comunidade.

(Erika Amaral Brito, nutricionista/ Foto: arquivo pessoal)
Erika Amaral Brito, nutricionista/ Foto: Arquivo pessoal

Graduada em nutrição pela Universidade Federal de Goiás (UFG), com residência em nutrição clínica pela Universidade de São Paulo (USP), unidade de Ribeirão Preto, a profissional atua tanto na área clínica como no setor de nutrição de uma escola particular localizada em Anápolis.

Confira a entrevista:

SEPE: – Qual deve ser a principal preocupação com a alimentação das crianças?

NUTRICIONISTA: – Atualmente, os pais enfrentam uma rotina de muito trabalho fora de casa e enquanto isso existe muito alimento industrializado fácil de se adquirir. É fácil encontrar um bolo, um biscoito e outros produtos nas prateleiras dos supermercados. Hoje, alimentos preparados em casa raramente são oferecidos aos alunos. É raro a gente presenciar crianças que levem frutas como opção de lanche.

A principal preocupação que se deve ter com a alimentação das crianças é em oferecer o alimento quanto mais natural melhor. Não aquele alimento que a gente compra na prateleira e sim aqueles que a gente adquire no sacolão, as frutas e verduras.

Oferecer lanches caseiros, biscoitos caseiros, bolos caseiros. Bolos podem ser opção, mas não os recheados, nada com açúcar em excesso e sim os lanches simples, um bolo simples, um biscoito simples. Afinal, os alunos precisam de carboidratos, porque eles estão trabalhando com a mente e o cérebro utiliza muito o carboidrato.

SEPE – Crianças costumam gostar de guloseimas e salgadinhos. É possível equilibrar uma alimentação mais saudável com esses alimentos?

NUTRICIONISTA – Não! Guloseimas, produtos de pacotinhos, do tipo salgadinhos, batata frita e inclusive a pipoca de micro-ondas, todos esses alimentos são ricos em gorduras trans, que é mais prejudicial para saúde do que a gordura saturada. Quanto mais tirar esses alimentos da alimentação da criança melhor para a saúde dela e no futuro teremos menos adultos com problemas de colesterol, menos riscos de infarto na fase adulta.

SEPE – Como evitar o sobrepeso ou obesidade de crianças e adolescentes?

NUTRICIONISTA – Como foi citado anteriormente, evitar salgadinhos, industrializados e incentivar uma alimentação mais saudável. Apresentar e insistir, insistir, desde cedo na alimentação para a criança com frutas e verduras e dando o exemplo. Não adianta cobrar da criança sem oferecer um exemplo. O exemplo dos pais é a maior lição. Muitas vezes, a criança vê na escola o que é a alimentação saudável, mas, se ela não tiver também esse incentivo em casa, ela não vai se importar com a alimentação.

SEPE – Quais são as opções mais recomendadas para lanches nas escolas?

Nutricionista –  Na escola onde atuo, nós oferecemos pão de queijo, biscoito de queijo, fazemos um pãozinho tipo bisnaguinha, mas ele é feito na escola mesmo. Uma vez no mês o cardápio tem pizza, até para mostrar para a criança que de vez em quando ela pode comer esse tipo de alimento sim. Servimos petas, vitamina, vários tipos de bolos, de laranja, de milho, até de chocolate (todos feitos na escola). Nós também oferecemos salada de frutas, pão com quejio  e leite com achocolatado. Não usamos nada industrializado, nada de caixinha. O suco é sempre feito da fruta mesmo.

Os pais podem oferecer, de vez em quando, não todos os dias, para a criança um iogurte. Para o lanche em casa o ideal é uma coalhada preparada de forma natural, mas, para levar para a escola, o mais recomendado é o iogurte industrializado mesmo por causa dos conservantes, já que esse alimento é mais perecível.

SEPE – A alimentação em cada fase (na infância e na adolescência) deve ser diferente?

NUTRICIONISTA – Sim. Eu não posso oferecer para uma criança que está na alfabetização o mesmo lanche que será oferecido para o aluno que está na pré-adolescência. No infantil, é sempre priorizado o alimento feito na escola ou em casa e são oferecidos mais alimentos como vitaminas, petas, biscoitos e bolos.

E ainda há a diferença na porção oferecida para cada faixa etária. A partir do 6º ano, a porção oferecida passa a ser maior, porque nessa fase a diferença de tamanho e a necessidade energética passam a ser maior.

SEPE – Existe alguma lei que regulamenta a comercialização de alimentos nas escolas, nas lanchonetes?

NUTRICIONISTA – A legislação brasileira prevê que é proibida a venda de guloseimas (chocolates, balas, alimentos industrializados), para se evitar a obesidade. É proibido inclusive o comércio desses produtos nas proximidades das escolas. Já para a legislação nas escolas públicas, é totalmente diferente a legislação e as escolas particulares não seguem o mesmo padrão.

Complemento da nutricionista: Nas festas, nos eventos na escola, alguns alimentos que são evitados no dia-a-dia acabam sendo oferecidos, para lembrar para as crianças que uma vez, em uma ocasião, o alimento é permitido. Ele só não deve fazer parte da rotina. 

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