Lugar de bilhete escrito pelo aluno é na sala de aula, sim!

Por 10/09/2018 Gerais, Notícias

Na escola, todo mundo usa, e você pode entrar na brincadeira dos bilhetes com sua turma.

 

O contato com o mundo da escrita, como já sabemos, acontece antes mesmo das crianças entrarem na escola. Em nossas aulas, principalmente na Alfabetização, precisamos criar situações de aprendizagem que levem as crianças a se apropriarem da escrita, e uma das maneiras é trazer para dentro das escolas as práticas de escrita do dia a dia, valorizando os conhecimentos prévios dos alunos, para que essa escrita tenha sentido e significado.

Ao mesmo tempo em que a criança vai compreendendo a função social da linguagem, sente a necessidade e o desejo de ler e escrever, afinal, aprendemos a escrever essencialmente para nos comunicar com o outro e registrar desejos, ideias e informações.

Um gênero textual que explora a linguagem escrita em nosso cotidiano, que está presente na vida de muitas pessoas e tem significado para as crianças é o bilhete. Atualmente, mesmo com tantas outras formas e suportes da língua escrita que utilizamos, o bilhete ainda se faz necessário e presente, principalmente na escola.

A história da criança que inventou um bilhete para tentar faltar na aula, que viralizou recentemente, mostra como os pequenos são capazes de produzir esse gênero por conta própria, e os professores devem se apropriar disso.

A seguir, apresento uma sequência didática que elaborei para explorar o gênero textual do bilhete com os alunos da Alfabetização. Lembrando que utilizo o conceito de Dolz, Noverraz E Scheuwly de sequência didática, para quem ela é “um conjunto de atividades escolares organizadas, de maneira sistemática, em torno de um gênero textual oral ou escrito”. Pressupõe etapas como:

  • Apresentação da situação;
  • Produção inicial;
  • Módulos;
  • Produção final.

Há também um movimento progressivo de complexidade, visando sempre o desenvolvimento de habilidades necessárias para a compreensão e o desenvolvimento dos gêneros. Vamos às etapas:

Apresentação da situação

Apresento aos alunos uma situação real do nosso cotidiano em sala de aula em que haja a necessidade de se comunicar com o outro, em que a escrita de um bilhete seja necessária.

No caso de minha turma de Alfabetização, a situação-problema era avisar a turma de alunos de outro período, que estuda na mesma sala de aula, sobre os cuidados com o peixinho do aquário da classe.

Neste momento, deve ser apresentado aos alunos o trabalho e o estudo que realizarão. Então, a proposta para a minha turma é: escrever um bilhete para outra turma de alunos da escola.

Produção inicial

Nessa etapa, a intenção é levantar os conhecimentos prévios dos alunos sobre o gênero textual bilhete. Para isso, apresentarei alguns e vamos explorar suas características oralmente. Vou fazer algumas perguntas, de forma a auxiliá-los a identificar as características e diferenças em relação a outros gêneros, em quais situações ele se faz necessário, entre outros aspectos.

Módulos: o desenvolvimento da sequência didática

É nessa etapa que devem ser apresentadas as atividades que serão realizadas pelos alunos, levando em conta a proposta do estudo (escrita do bilhete) e os conhecimentos prévios dos alunos, com o objetivo de desenvolver as habilidades e competências escritoras necessárias.

As atividades que vou propor para meus alunos são:

  1. Escrita coletiva de um bilhete: os alunos ditam e a professora escreve. Juntos, vamos debater e pensar a melhor forma de comunicar nossa mensagem através do bilhete.

Como primeira atividade para eles se acostumarem ao gênero, vamos escrever um bilhete aos pais, chamando a atenção para a importância de vacinar seus filhos contra a poliomielite e o sarampo.

  1. Em duplas, eles também vão responder a um bilhete recebido. Entregarei a cada dupla um bilhete escrito por mim, e eles devem redigir a resposta. Desta vez, eles terão mais autonomia para tomar as decisões em um fórum pequeno, e minha parte será passar pelas duplas fazendo minhas intervenções em sua escrita e confrontar suas hipóteses.
  2. Escrever bilhetes na Alfabetização envolve diferentes saberes, que vão além da compreensão das características do gênero e sua produção escrita, pois há também a construção da base alfabética. Por isso, as intervenções pontuais do professor em cima das produções das crianças são essenciais para o entendimento da escrita alfabética.

 

Produção final

Depois dos passos de exploração, modelização e experimentação da produção de escrita, é hora de saber se a aprendizagem dos alunos foi efetiva. Hora de voltar à proposta inicial: escrever um bilhete para a turma que tem aula na mesma sala, em outro período. Primeiro, os alunos vão escrever individualmente, e depois faremos a escrita coletiva.

Essa etapa é o momento de avaliar a aprendizagem das crianças, no meu caso em relação à compreensão e ao uso do gênero textual (bilhete). É hora também de avaliar o nosso trabalho como um todo e se a proposta da sequência foi eficaz na aprendizagem dos alunos.

Vale lembrar que uma sequência didática não é apenas uma coletânea de atividades desconexas ou ligadas apenas pela temática. Ela pressupõe organização, sistematização, intencionalidade na aprendizagem e percurso didático.

E vocês, professores, fazem uso dessa modalidade organizativa em suas aulas? Quais são os desafios que enfrentam?

 

Fonte: Revista Nova Escola

 

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